A ação consiste em uma performance realizada no espaço público, na qual a artista desloca seu próprio corpo carregando uma máquina de costura doméstica e uma placa. Ao encontrar um local para exercer seu ofício, veste a placa com a inscrição “em produção” e posiciona a máquina, acionando manualmente o equipamento e utilizando o próprio corpo como força motriz para a confecção de uma peça de roupa, sem uso de eletricidade. Ao tornar explícitos o tempo, o esforço e a dimensão física do fazer, a ação se contrapõe à lógica acelerada da indústria da moda. Concluída a peça, esta é pendurada no espaço urbano e a placa é retirada do corpo, invertida e reposicionada junto à roupa produzida com a inscrição “em promoção”, marcando a passagem entre produção e disponibilização para consumo. A ação tensiona as relações entre corpo, trabalho e valor, propondo uma reflexão sobre sustentabilidade para além da materialidade. Em diálogo com os princípios do Fashion Revolution, a proposta problematiza, no campo sensível, a produção em escala e o descarte. A performance será realizada por Isabela Solo, mestre em artes, modista e artista visual, cuja prática investiga o corpo como território de inscrição social, articulando vestuário, arte e espaço urbano por meio da criação de peças únicas desenvolvidas a partir de materiais descartados pela indústria têxtil.