Elas não esperam convite: já estão reescrevendo as regras da moda brasileira
No dia 12 de agosto, é celebrado o Dia Internacional da Juventude, instituído pela ONU para reconhecer os jovens como parte importante da transformação social. E a moda não está isolada disso: é também nas mãos da juventude que o sistema da moda está sendo repensado.
Mas de que juventude estamos falando quando falamos de moda?
Existe uma geração mobilizada para revolucionar a moda de forma mais responsável e mais sustentável, que acredita que não existe justiça ambiental sem justiça racial. E que ainda sim, convive com um sistema de moda que segue outro caminho: o da produção em massa, do descarte acelerado e do apagamento de quem historicamente sustentou a cadeia têxtil sem nunca ter ocupado seu lugar de destaque.
Uma moda mais responsável já existe, e ela vem das periferias
Há uma juventude periférica que não está esperando um convite para entrar no sistema da moda, ela está construindo o seu próprio. São coletivos de moda autoral, brechós geridos por coletivos juvenis, marcas nascidas em quebradas que unem estética, ancestralidade e consciência ambiental em uma mesma peça. É um grupo que ressignifica o descarte, que entende upcycling como um eixo ancestral muito antes dele ser americanizado, como um saber transmitido geração após geração.
“Há uma juventude periférica que não está esperando um convite para entrar no sistema da moda, ela está construindo o seu próprio.”
Impulsioná-los é considerar que a resposta para uma moda mais sustentável não está apenas em grandes marcas revisando processos, mas em fortalecer quem já está, na prática, construindo outro jeito de vestir, produzir e consumir.
Novos sistemas de moda exigem olhar para a moda criada pela juventude, este é um convite para observar e acreditar.
Apoiar essas pessoas demanda um compromisso contínuo e institucionalizado. É fundamental garantir a elas um espaço nos centros de decisão e poder. Além disso, para que boas ideias ganhem vida, o investimento financeiro precisa ser real e direto na produção da moda autoral.
Elas devem assumir o protagonismo do debate, definindo os rumos da indústria e construindo políticas públicas e privadas que transformem a cadeia de fato. O foco deve estar, por exemplo,no desenvolvimento concreto de novos materiais, novos designs e arranjos econômicos viáveis. O futuro da moda brasileira já ganha forma pelas mãos dessa geração ativista, resta ao setor aportar os recursos necessários para acelerar essa transformação.
Acreditar nas juventudes é acreditar no futuro!
Texto por: Marina Ribeiro
Produtora cultural e pós-graduanda em Comunicação. É ativista pelas juventudes e atua na interseção entre cultura, comunicação e transformação social. Acredita no potencial da comunicação e da cultura como ferramentas de mobilização e construção de novas narrativas. Já atuou na produção de projetos, eventos e iniciativas voltadas à sustentabilidade, diversidade e direitos humanos.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a opinião do Fashion Revolution Brasil.