Iniciativa promove bazares de troca e mutirões de reparo em todo o país, valoriza a moda de segunda mão e convida a repensar o sistema rumo à circularidade
Durante todo o mês de setembro, o Fashion Revolution Brasil promove a edição 2025 da campanha Setembro de Segunda Mão. O movimento convida voluntários, estudantes, educadores e comunidades a promoverem ações em todo o país para estimular o uso de roupas já existentes e repensar a cultura de consumo.
A iniciativa também provoca uma reflexão crítica sobre o sistema da moda contemporânea, marcado pela superprodução e pelo descarte excessivo, apontando para a urgência de cocriar soluções que promovam a circularidade e fortaleçam novos modos de vestir mais responsáveis e sustentáveis.
Inspirada pelo Second Hand September, criado pela ONG britânica Oxfam em 2019, a iniciativa busca conscientizar sobre os impactos ambientais da moda rápida (fast fashion), o movimento também convida a repensar práticas ao longo de toda a cadeia de produção, estimulando novas formas de criação, distribuição e consumo que favoreçam a circularidade na moda.


O impacto da moda rápida
A indústria da moda é responsável por uma das maiores pressões ambientais globais. De acordo com estudo publicado na Cleaner Waste Systems, estima-se que entre 100 e 150 bilhões de peças sejam produzidas anualmente, o dobro em relação ao ano 2000. Como consequência, cerca de 92 milhões de toneladas de roupas são descartadas todos os anos em aterros sanitários, e menos de 20% é reutilizada ou reciclada.
No Brasil, segundo a Abit, mais de 170 mil toneladas de resíduos têxteis são jogados fora anualmente. Nesse cenário internacional, os maiores impactos geralmente recaem sobre os países do Sul Global, que recebem o descarte de roupas vindas do Norte, configurando o chamado “colonialismo de resíduos”. Por trás desses impactos, há costureiras, catadores, trabalhadores de triagem e pequenos empreendedores que sustentam, de forma invisível, a engrenagem da moda circular.


Resultados e ações
O Setembro de Segunda Mão propõe um caminho simples: usar o que já existe. Em 2025, a campanha amplia esse convite e chama a sociedade, durante todo o mês, a repensar o sistema da moda como um todo, desde a cadeia de valor e seus modos de produção até o consumo e o pós-uso.
O objetivo é tornar a circularidade viável em todas as etapas, entendendo que não se trata apenas do descarte ou do fim da vida útil das roupas, mas, sobretudo, de criar condições para que peças paradas possam ganhar novos ciclos de uso. De acordo com a The Ellen MacArthur Foundation, aponta-se que prolongar a vida útil de uma peça em nove meses pode reduzir sua pegada de carbono, de água e de resíduos em até 30%. Já roupas de segunda mão podem emitir até 82% menos carbono que itens novos.
Na primeira edição, em 2024, a campanha mobilizou voluntários em 22 cidades de 15 estados brasileiros, e foram mais de 4.300 peças de roupas trocadas ou consertadas. Este ano, dentre a programação nacional e online, destaca-se a aula da Cora Design com a advogada Carolina Terão Bola sobre o Plano Nacional de Economia Circular e sua relação com a indústria de varejo de moda; e também a parceria com a produtora Time to Action, que possibilitou a exibição do documentário Seu Estilo, Seu Impacto (2024) de Luciana Brafman & Ricardo Carioba durante o período, que terá exibições em diversas cidades do país.

Um chamado à ação
“O mote da campanha é direto: a roupa mais sustentável é a que já existe. Queremos inspirar mudanças de hábito, estimular ações e soluções que pensam a moda circular e valorizar quem faz a moda de segunda mão e pressionar a indústria da moda e o poder público a adotar práticas mais éticas e circulares”, afirma Marina de Luca, Coordenadora de Mobilização do Fashion Revolution Brasil.
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