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Setembro de Segunda Mão 2026: campanha nacional quer impulsionar a cultura da circularidade nas cidades brasileiras

Com programação gratuita nas cinco regiões do país, a iniciativa convida o público a trocar, consertar, transformar e dar novos usos às roupas que já existem

Durante todo o mês de setembro, o Instituto Fashion Revolution Brasil mobiliza sua rede nacional de mais de 325 voluntários para promover dezenas de ações voltadas ao fortalecimento dos ecossistemas da moda de segunda mão. Gratuitas e abertas ao público, as atividades convidam a repensar nossa relação com as roupas a partir da circularidade e a experimentar outras formas de consumir, cuidar, consertar e fazer as peças circularem.

Inspirada no movimento internacional Second Hand September, que foi criado pela organização britânica Oxfam em 2019, a iniciativa do Fashion Revolution Brasil realiza, ao longo de setembro, eventos em escolas, universidades, centros culturais, feiras e espaços públicos em diversas cidades brasileiras.

Em 2026, o tema da campanha é “Fortalecendo ecossistemas da moda de segunda mão: cada peça tem uma comunidade por trás”. A proposta é ampliar o olhar para as pessoas e comunidades que tornam a moda de segunda mão possível, mostrando que, por trás de cada peça que continua em uso, existe uma rede de saberes, trabalhos e relações. Cidadãos, brechós, iniciativas de reparo, costureiras, sapateiros, centros de triagem, feiras de troca e outros atores locais fazem parte desses ecossistemas e são fundamentais para que eles continuem ativos e possam se fortalecer.

A iniciativa evidencia que a moda de segunda mão não acontece apenas quando uma roupa muda de dono. Ela acontece quando cidadãos e todo o sistema da moda compartilham conhecimentos, recursos e responsabilidades para prolongar a vida das peças por meio do cuidado, da  transformação e da circulação responsável.

Entre os destaques da programação estão o bate-papo, “Por dentro da triagem têxtil:a jornada invisível das roupas após o descarte”, no Youtube do Fashion Revolution Brasil (03/09), com especialistas da Cotton Move, Retalhar e Humana Brasil; a ação em Teresópolis-RJ (13/09), com feira de trocas, oficina de bijuterias com resíduos têxteis e desfile-performance em parceria com o Coletivo Serra Kunty; a atividade do Senac Nova Iguaçu-RJ (15/09), que propõe uma dinâmica de troca de roupas inspirada no “amigo ladrão”; e, em Salvador-BA (23/09), um bazar de troca, mutirão de reparo com costureiras profissionais e a exposição educativa “Doação não é descarte”.

ACESSE A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

 

Quem sustenta a moda de segunda mão no Brasil
No Brasil, uma pesquisa da Aliança Empreendedora mostrou que 98% dos empreendimentos de brechó são liderados por mulheres, e mais da metade dessas empreendedoras possui renda de até um salário mínimo. Entre as costureiras de reparos, 78% são mulheres negras e mais de 60% possuem renda de até um salário mínimo. Porém, apesar de terem um papel fundamental na economia local da moda circular, outro estudo da Aliança Empreendedora mostrou que 64% das costureiras de reparos afirmam não se sentir valorizadas na profissão, principalmente devido à desvalorização econômica, incluindo clientes que pagam pouco ou negociam excessivamente os preços.

Esses dados apontam para uma contradição importante para a construção de uma moda circular no Brasil: não é possível fortalecer ecossistemas circulares sem valorizar social e economicamente as pessoas que os sustentam.

Eventos acontecem em dezenas de cidades brasileiras, e incluem palestras, bazares de troca e rodas de conversa.

 

 

Os limites da segunda mão

O Setembro de Segunda Mão também propõe um olhar crítico para os limites do sistema de segunda mão. Um deles é lidar com a superprodução de roupas: brechós, bazares e iniciativas de doação não têm capacidade infinita para absorver o excesso de roupas produzido por um sistema de moda linear, que coloca cada vez mais peças em circulação. Um outro desafio atual é a qualidade: uma parcela crescente das roupas que chegam ao comércio de segunda mão já não apresenta condições para um novo ciclo de uso, seja por baixa qualidade, seja pelo estado em que foi descartada. 

Em 2025, o Repense Reuse, projeto da organização Humana Brasil que atua no Nordeste, recolheu 812 toneladas de têxteis: mais de 1 milhão de peças puderam ser revendidas, mas 144 toneladas não tinham condições de revenda, reparo, doação ou upcycling e foram destinadas ao coprocessamento com recuperação de energia.


Por isso, a campanha reforça que a segunda mão não pode ser uma solução para o excesso de produção nem para a falta de qualidade da moda atual. Para que a circularidade seja possível, é preciso pensar além do momento em que a roupa muda de mãos e começar antes mesmo de ela ser produzida: reduzir a superprodução, criar peças que durem e construir condições para que aquelas que já existem possam permanecer em uso pelo maior tempo possível.

 

Um chamado à ação

“Fortalecer a moda de segunda mão é reconhecer as pessoas, os saberes e as comunidades que mantêm as roupas em circulação. Queremos valorizar quem sustenta esses ecossistemas, e também lembrar que a segunda mão não pode absorver indefinidamente o excesso de uma indústria que produz cada vez mais”, afirma Marina de Luca, Coordenadora de Mobilização do Instituto Fashion Revolution Brasil.

A programação é gratuita e aberta a todos. Confira o Mapa de Ações no site da campanha e participe de uma atividade na sua cidade ou instituição. A programação é gratuita e aberta a todos. Troque, conserte e faça sua roupa circular.

ACESSE A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Campanha: Setembro de Segunda Mão 2025
Realização: Instituto Fashion Revolution Brasil
Período: 1º a 30 de setembro de 2026

ACESSE O MIDIA KIT COMPLETO

Contato

Claudia Castanheira – Coordenadora de Comunicação: comunicacaofr.claudia@gmail.com
Marina de Luca – Coordenadora de Mobilização:  redes.brasil@fashionrevolution.org

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