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Fórum Modativismo: uma experiência completa para debater moda, representatividade das mulheres negras e ativismo

Com o tema “Mulheres Negras, Ancestralidades e Sustentabilidades”, a segunda edição do Fórum aconteceu entre os dias 16 e 18 de junho de 2026 na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.  Vem que a gente te conta um pouco como foi!

 

“Que a gente possa seguir transformando as nossas lutas em beleza” – eu estava lá, gente, no encerramento do Fórum Modativismo 2026 e vi a própŕia Hanayrá Negreiros – belíssima, em um look da grande Goya Lopes, falar essa frase. Meus olhos encheram de água na hora. Porque a gente fala TANTO de luta, a gente se detém tanto – inclusive aqui no Fashion Revolution, tá? – em esmiuçar as coisas que estão erradas (e a gente tem que fazer isso mesmo, porque somos um movimento social e esse é o nosso papel!) que às vezes parece que falta espaço para a beleza.

 

Hanayrá Negreiros, Carol Barreto e Adriele Regine fizeram a cerimônia de encerramento do Fórum Modativismo 2026, no auditório do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab). O tema desta conferência final foi Negras Maneiras de Vestir: moda, memória e arte afro-brasileira. A conferência leva o nome do livro recém-lançado de Hanayrá Negreiros, que teve noite de autógrafos no encerramento do Fórum.

 

Pra você que não tem a sorte de viver em Salvador, eu explico: o Fórum Modativismo é um evento, já na sua segunda edição, coordenado pela designer de moda Carol Barreto. Carol também é professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) de uma disciplina chamada Modativismo. O Fórum Modativismo é o trabalho de encerramento da disciplina. Em vez de fazer uma prova ou trabalho final, eles preparam esse evento, com convidadas/os, aberto ao público e pensado para debater grandes temas da sociedade.

O Fórum Modativismo de 2026 aconteceu de 16 a 18 de junho. Eu e Marina de Luca, minha parceira aqui do Fashion Revolution, fomos convidadas a participar de uma mesa na tarde do dia 17, que também contou com a participação da professora Ariane Barreto. O tema foi Meio Ambiente, Sustentabilidade e Racismo Ambiental e tivemos a chance de falar para muitos estudantes da rede pública, alunas e alunos da professora Ariane, que estavam lá para uma aula diferente.

 

Falamos sobre o conceito de racismo ambiental (em ano de super El-Niño!), os impactos ambientais da moda – em especial, os impactos do descarte de resíduos têxteis, consumismo, circularidade e apropriação cultural na moda. Foi muito legal debater com aquela turma e, no final das contas, quem saiu aprendendo fui eu. A professora Ariane também nos ensinou muito sobre e saímos combinados de nos encontrarmos em breve – em setembro, para uma edição do setembro de segunda mão na escola!

 

A tarde seguiu com apresentações de estudantes da disciplina Modativismo que, além de compartilhar seus textos e pesquisas, compartilharam também suas vivências na sala de aula, como alunas de Carol Barreto. Pelo menos uma delas falou que tinha dificuldades em lidar com o próprio cabelo – e toda a turma estava em campanha para que ela usasse o cabelo solto! Participar da disciplina ajudou essa estudante – e tantas outras que dividiram suas vivências conosco – a se olhar de uma maneira diferente. 

 

Se você é uma pessoa branca, talvez isso soe como frescura, mas eu te convido a imaginar como é crescer ouvindo / vendo, diariamente, que a sua aparência não é adequada. Eu me reconheci em muitas falas e hoje entendo que a moda e a beleza podem ser uma porta para o nosso letramento racial. A insatisfação com o volume e a textura do cabelo, com a largura do nariz e com outros traços são, muitas vezes, efeitos do racismo que nos desumaniza. 

 

Acho que essa é a essência do Modativismo, conceito definido por Carol em sua tese de doutorado e que virou livro: enquanto a moda tradicional diz quem pode ser considerado bonito ou feio, adequado ou não; o Modativismo é uma ação de reescrita de si mesma, de criação de imagens belas, inspiradoras, empoderadoras, libertadoras por e para as mulheres negras. Aliás, lemos o livro “Modativismo – quando a moda encontra a luta” no Clube do Livro do Comitê Racial do Fashion Revolution e tivemos a presença da própria Carol Barreto no nosso último encontro, um luxo! 

 

Pra seguir na nossa trajetória luxuosa, já estamos com tudo combinado para realizar, no segundo semestre, a leitura do livro de Hanayrá no nosso Clube do Livro – eu não vejo a hora!



Texto: Ana Fernanda Souza, Coordenadora de Diversidade e do Comitê Racial – Fashion Revolution Brasil

 

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